A Organização Cultural Remanescentes de Tia Ciata (ORTC), fundada em 2007 por descendentes de Hilária Batista de Almeida (1854-1924), tem como missão a promoção da cultura e a conservação do patrimônio histórico e artístico, através de atividades culturais, direcionadas à educação, saúde, defesa da mulher, desporto e meio ambiente. Sua presidente Gracy Mary Moreira, bisneta de Tia Ciata, representa quatro gerações inseridas de corpo e alma no florescimento da cultura afro-fluminense.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Samba Patrimônio Imaterial - Um século de Samba

Símbolo nacional mantém missão de preservar música e cultura dos bambas
Fonte: OGLOBO.GLOBO.COM



No grande caldeirão onde se faria o caldo do samba, o batuque, termo empregado genericamente para designar toda dança e canto feitos pelos negros, ganhou consistência na casa de Tia Ciata.

Ela, que veio do Recôncavo Baiano, morou no Rio inicialmente na Rua da Alfândega, no Centro, e posteriormente nas ruas General Pedra, Dos Cajueiros e na Visconde de Itaúna. Residiu ainda na Cidade Nova, entre os anos de 1899 e 1924. Tia Ciata tornou-se uma espécie de primeira dama das comunidades negras e foi em seu quintal que nasceu o samba carioca, segundo Gracy Mary Moreira, sua bisneta e presidente da Organização dos Remanescentes de Tia Ciata.

          Gracy Mary Moreira é bisneta de Tia Ciata - Hermes de Paula / Agência O Globo





— Ela promovia festas de candomblé e sempre organizava rodas de música ao fim das festividades. Toda a boemia carioca ia para lá, na região da Pedra do Sal, na Zona Portuária. As músicas eram feitas de improviso. Um levava o tamborim, outro o violão, e da mistura dos ritmos foi se criando pouco a pouco o samba — orgulha-se.

A própria Ciata encarregou-se também de levar o samba para a Zona Norte.

— Ela gostava muito da Igreja da Penha e dos santos católicos, e carregava para as festas do bairro os quitutes e os músicos — conta Gracy Mary.

A missão de manter viva a memória da família ela recebeu do pai, o músico e compositor Bucy Moreira, que reforçou o pedido antes de morrer.

— Ele queria que a Tia Ciata fosse sempre lembrada, assim como o samba. E preservar o patrimônio artístico que a nossa família ajudou a criar — lembra Gracy.

Dentre as ações que promove à frente da organização está o bloco Batuke de Ciata, composto por 200 ritmistas, sendo 180 deles mulheres. A composição não é por acaso.

— Sempre tive vontade de promover a cultura negra, reforçar o poder das mulheres. O bloco toca samba e maracatu para manter viva essas raízes — afirma ela.









Nenhum comentário:

Postar um comentário