A Organização Cultural Remanescentes de Tia Ciata (ORTC), fundada em 2007 por descendentes de Hilária Batista de Almeida (1854-1924), tem como missão a promoção da cultura e a conservação do patrimônio histórico e artístico, através de atividades culturais, direcionadas à educação, saúde, defesa da mulher, desporto e meio ambiente. Sua presidente Gracy Mary Moreira, bisneta de Tia Ciata, representa quatro gerações inseridas de corpo e alma no florescimento da cultura afro-fluminense.

domingo, 30 de novembro de 2014

Hilária Batista de Almeida, conhecida como "Tia Ciata", no Livro dos Heróis da Pátria.

O deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ) aprovou como relator Ad Hoc, nesta quarta-feira, 12, durante reunião da Comissão de Cultura, os projetos de lei 6.859/13 e 7.230/14, que reconhecem os religiosos Dom Helder Câmara e Hilária Batista de Almeida como “Patrono Brasileiro dos Direitos Humanos” e como membro do “Livro dos Heróis da Pátria”, respectivamente.

Segundo o deputado, relembrar as vidas e os trabalhos de Dom Helder Câmara, um cristão católico, patrono dos direitos humanos, e da mãe de santo baiana Hilária Batista de Almeida, é simbólico em tempos em que o recrudescimento do fundamentalismo religioso ameaça a liberdade de crença e de não crença garantida pela Constituição de 1988.

“Prestar essa homenagem a Dom Helder Câmara é resgatar o espírito do cristianismo de combate às opressões e defesas dos direitos humanos que vem se perdendo por conta do fundamentalismo religioso que vem se organizando política e economicamente. Esse fundamentalismo, inclusive, quer impedir essa casa de avançar na questão dos direitos humanos”, disse Wyllys, acrescentando que a politização de sua existência e sua consciência das injustiças do mundo foi dada pela pastoral da Igreja Católica e pela teologia da libertação, movimento do qual Dom Hélder Câmara foi um dos grandes nomes. Conhecido internacionalmente pela defesa dos direitos humanos, Dom Helder foi indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz.

O deputado relembrou a história de vida de Tia Ciata, como a Ialorixá Hilária Batista de Almeida é mais conhecida, para delinear sua importância na preservação das tradições da cultura afro-brasileira. Considerada por muitos como uma das figuras influentes para o surgimento do samba e como a Mãe da batucada brasileira, Hilária deixou Salvador por causa das perseguições policiais do início do século 20 e se mudou para o Rio de Janeiro para ter a liberdade de praticar seu culto religioso. Sua casa se tornou ponto de reunião dos sambistas no começo daquele século e lá foi criado o samba "Pelo Telefone" - o primeiro samba gravado em disco no País.

“O samba, como diz o Caetano, é pai do prazer, mas e também filho da dor e é uma resposta do povo negro à escravidão e tudo que decorreu depois. Por isso mesmo Caetano diz, em letra de outra canção: ‘E o povo negro entendeu que o grande vencedor se ergue além da dor. Tudo chegou sobrevivente num navio. Quem descobriu o Brasil? Foi o negro que viu a crueldade bem de frente e ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente’”, disse Wyllys. “Esse milagre de fé está ligado aos santos e orixás que Tia Ciata cultuava, à sua saída da Bahia para poder cultuar seus orixás à vontade, e o fato de ter engendrado junto com os outros parceiros essa expressão cultural que hoje move a indústria cultural e milhões, como o samba”, finalizou.


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