Rio -  Autor do estudo ‘Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval’, realizado entre 2006 e 2009, Luiz Carlos Prestes Filho diz que é necessário o desenvolvimento de políticas públicas e privadas para potencializar toda a força do Carnaval brasileiro, mas principalmente o do Rio de Janeiro. Segundo o especialista, o segmento deve ter a mesma importância que outros setores da economia têm para o estado como o petróleo e gás, metalurgia e indústria naval.
“Numa conta simples só no Rio de Janeiro são 87 escolas de samba, entre as dos grupos Especial, de Ouro e mirins. São cerca de 100 mil foliões utilizando fantasias. Ou seja, são bordadeiras, costureiros, chapeleiros, sapateiros, uma gama de profissionais. Isso sem falar nos serralheiros, marceneiros, aramistas, vidraceiros e eletricistas. É toda uma mão de obra que se renova a cada ano”, diz, Prestes, superintendente para o Desenvolvimento da Indústria Cultural da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico do Rio.
Entre passistas, o bailarino e coreógrafo Carlinhos de Jesus diz que a indústria funciona os 365 dias no ano | Foto: Divulgação
Entre passistas, o bailarino e coreógrafo Carlinhos de Jesus diz que a indústria funciona os 365 dias no ano | Foto: Divulgação
Os postos de trabalho também se distribuem pelos setores do turismo, indústrias gráfica e editorial, de bebidas, de instrumentos musicais, do audiovisual e do entretenimento. Segundo Prestes Filho, o segmento necessita buscar profissionais que atuam com inovação e tecnologia. “É necessário se pensar em logística, em engenharia de produção, de transportes e de alimentação. Afinal, só este ano, o Carnaval do Rio atraiu para a cidade 850 mil pessoas. É um evento maior do que uma Copa do Mundo de futebol”, avalia o superintendente.
O Carnaval atingiu uma magnitude que envolve gastos da ordem de R$ 685 milhões e gera 264 mil postos de trabalho por mês, com a mobilização de 470 mil trabalhadores, no que tange apenas ao desfile das escolas de samba do Grupo Especial. Esses valores dobram quando se somam os blocos carnavalescos e os desfiles das escolas dos grupos de acesso.
A profissionalização também chegou às escolas de samba como Unidos da Tijuca, Salgueiro, São Clemente e Mocidade. Para atender a demanda, esta última criou este ano os departamentos de marketing e comercial, esperando aumentar o faturamento em 40% em relação a 2011 com a inauguração da nova quadra.
Carlinhos de Jesus destaca a união da arte e da cultura foliã
Dançarino e coreógrafo, Carlinhos de Jesus destaca a força do Carnaval como manifestação popular e geradora de mão de obra que utiliza o artesanato, escultores, costureiras, dançarinos, maestros, músicos e cantores, entre outros profissionais. “É uma fonte de renda direta e indireta que vai muito além dos quatro dias de folia”, afirma ele, que é sócio do Lapa 40º.
Carlinhos explica que o Carnaval proporciona a realização de eventos, como o que ocorre na Cidade do Samba, onde apresenta o espetáculo “Forças da Natureza’, reunindo mais de 90 pessoas, entre cenógrafos, passistas, ritmistas e baianas, entre outros.
“São pessoas que atuam nos bastidores das escolas de sambas. A Cidade do Samba poderia ter um roteiro cultural, interagindo com os trabalhadores dessa arte, os artistas populares, os turistas até mesmo para o próprio carioca. Seria um Carnaval durante os 365 dias do ano”, empolga-se o coreógrafo.